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TOQUE, EUTONIA E RELAXAMENTO

Danielle C. C. Federicci, Fabiana Castillo Roda, Carolina Sant'Ana Joanon

6º semestre de Terapia Ocupacional da São Camilo

São Paulo - 2001

Profº Responsável: Flávia Liberman

1.  INTRODUÇÃO

A pele, como uma roupagem contínua e flexível, envolve-nos por completo. É o mais antigo e sensível de nossos órgãos, nosso primeiro meio de comunicação, nosso protetor. O corpo todo é recoberto pela pele. Esta se vira para dentro para revestir orifícios como a boca, as narinas e o canal anal. Na evolução dos sentidos, o tato foi o primeiro a surgir. O tato pode variar estruturalmente e funcionalmente com a idade, o tato permanece uma constante. A pele é o mais extenso órgão do sentido do nosso corpo e o sistema tátil é o primeiro sistema sensorial a tornar-se funcional em todas as espécies.  O sentido mais associado à pele, ao tato é o primeiro a desenvolver-se no embrião pulmonar.

As células da pele caem a uma razão de mais de um milhão de hora. Em diferentes partes do corpo a pele varia quanto a textura, flexibilidade, cor, odor, temperatura, inervação, do rosto, registra as tentativas de toda uma vida e com isso transporta a própria memória de suas experiências.

Projeta-se em nossa pelo emoções, penetram os pesares, a beleza encontra sua profundidade.

A pele é tecida de uma variedade de células resistentes e robustas, a pele protege os tecidos macios e moles do interior do corpo.

Como disse André Viril, a pele é um espelho bifásico que desempenha uma trilha função. Sua superfície externa reflete o mundo da realidade objetiva. Nossa  pele recebe não só os sinais que chegam desde o meio ambiente, como capta sinais do mundo externo. Sendo assim, será abordado nesse trabalho o toque, a eutonia e as técnicas de relaxamento.

 

2.  O TOCAR

2.1.    EFEITOS FISIOLÓGICOS DO TOCAR

A pele tem uma função imunológica que vem sendo confirmado por várias pesquisas.

Descobriram que a pele, particularmente sua camada externa, a epiderme, produz uma substância que é indistingüível imunoquimicamente da timopoietina, hormônio da glândula timo, que está ativa na diferenciação de linfócitos T. Estes são responsáveis pela imunidade celular.

A estimulação tátil tem efeitos profundos sobre o organismo, tanto fisiológicos quanto comportamentais. O tocar e o não tocar produzem múltiplos efeitos.

 

2.2.    CULTURA E CONTATO

As diferenças entre as classes sociais e culturais, quanto as atitudes e práticas das condutas táteis, representa um campo de pesquisas sobre a relação entre diferenças sociais nas experiências táteis e o desenvolvimento da personalidade e o de traços culturais e nacionais.

Existem famílias onde ocorre grande quantidade de contato tátil entre todos os membros da família. Existem outras, dentro de uma mesma cultura, onde o contato tátil é mínimo. Existem culturas internas caracterizadas por um “não me toque” como modo de vida. Há outras em que a tatilidade é o modo de viver, onde abraços, beijos são constantes, que para povos não táteis, isto é estranho. Há culturas que demonstram toda variação com a tatilidade.

TATO E SOM: tem-se comentado, que o som tem uma qualidade tátil, mas existe um relacionamento mais profundo entre o tato e o som do que temos consciência. A versatilidade da pele é tão poderosa que é capaz de responder às ondas sonoras da mesma forma às da pressão.

O tato e os receptores da pele informam ao cérebro o que captam a respeito da posição do corpo.

 

SENTIR, ESCREVER E TOCAR: É o sentir que vence a distância espacial que nos separa dos outros e nos põe em contato com eles. Essa é a função da língua, tanto a falada quanto a escrita, ou outra forma de comunicação. As sensações têm uma qualidade tátil. Escritores “falam” para nós, “mexem” conosco com seus escritos. Daí a importância quando ouvimos uns aos outros, escutamos as sensações assim com as palavras.

O tato é uma língua em si, com um vocabulário extenso. por meio do tato, comunicamos aquilo que não pode ser pronunciado, pois o tato é a voz da sensação, já que as melhores palavras carecem do tato. Através do pensamento e da imaginação que tentamos nos fazer “sentidos” através da maneira que escolhemos para nos expressarmos. O nível e a amplitude de que são capazes nossos pensamentos e imaginação são decorrências de experiências táteis e visuais entretecidas à língua.

 

2.3.    TOQUE TERAPÊUTICO

A partir da prática da “imposição das mãos” que passou a ser chamado de “toque terapêutico”. O toque terapêutico foi desenvolvido por Dolores Krilger (enfermeira).

Krilger reproduz em seu livro os relatos de muitos adeptos do toque terapêutico que trataram com sucesso de problemas que variavam desde acalmar bebês chorosos até a cura de lesões e distúrbios funcionais diversos. Krilger diz que a funções do corpo humano ocorrem por meio de condução elétrica e que cada um tem um campo individual dentro e em torno de seu corpo, dotado de carga. “No toque terapêutico, o curador redireciona o campo do paciente, deslocando suas mãos em cima ou próximas ao corpo com gestos que assemelham aos de varrer”.

O ato de curar, segundo Dolores “implicaria na canalização desse fluxo de energia pelo curador para o bem-estar da pessoa doente...”.

 

2.4.    TOQUES NAS PRINCIPAIS REGIÕES

TOQUE NOS PÉS®  TÉCNICA: toques com pequenos movimentos circulares nos pés. POSIÇÃO:  o paciente em decúbito ventral; cabeça de lado; braços ao longo do corpo; olhos fechados. Pés para fora da cama até a altura dos tornozelos. O terapeuta fica sentado aos pés do paciente. PRIMEIRA ETAPA: aplicar em média 10 círculos muito pequenos na polpa dos dedos dos pés, com os dedos correspondentes das mãos. A aplicação é simultânea, sempre procurando manter a mesma qualidade de estímulo. Os círculos são feitos girando lentamente para fora e pressionando de modo a deslocar um pouco a pele, marcando um pequeno trajeto. A polpa dos dedos deve ficar bem encaixada durante os giros. SEGUNDA ETAPA: aplicar círculos do mesmo modo com os dedos indicadores ou medianos no eixo central do pé, principalmente em 3 pontos: a) no início do arco plantar; b) na parte mais côncava do arco plantar; c) na base do calcanhar. TERCEIRA ETAPA: com os dedos polegar e indicador posicionados em pinça, aplicar 3 círculos ao mesmo tempo: a) nas laterais do calcanhar; b) nas depressões ao lado dos tornozelos, abaixo e acima.

 

TOQUE NAS PERNAS INTEIRAS® TÉCNICA: movimento de hélice com as pernas. POSIÇÃO: o paciente fica em decúbito dorsal; braços soltos; olhos fechados. O terapeuta fica ao lado da perna que vai ser trabalhada. LOCAL DE TRABALHO: nas articulações coxofemorais, na dobra dos joelhos e dos tornozelos. O trabalho é feito em ambas as pernas, uma de cada vez.  APLICAÇÃO: dobrar a perna segurando com uma das mãos a coxa e com a outra o pé na altura do calcanhar, de modo que essa articulação também possa ser movimentada, acompanhando os grandes círculos produzidos com o rodar amplo da perna, aproveitando toda a abertura da articulação. As três articulações da perna são movidas ao mesmo tempo. Na abertura do giro, abrir as articulações do joelho e do tornozelo acompanhando o movimento. São em média 5 giros amplos com cada perna.

 

TOQUES NOS QUADRIS®  TÉCNICA:  toque de convite para “cair sentado”. POSIÇÃO:  o paciente fica em pé; posição descontraída com braços soltos e olhos fechados. O terapeuta fica em pé atrás do paciente. APLICAÇÃO: o terapeuta com as duas mãos posicionadas em formato de concha suave, com os dedos unidos e levemente fletados, aproxima da dobra das nádegas do paciente e aplica de modo bem rápido pequenos e leves impactos, em média 15 estímulos. Pode também ficar apenas com as mãos encostadas por 45” em média. PROVIDÊNCIA: avisar antes da aplicação que costuma ocorrer uma vontade imensa de “cair sentado” ou de soltar o corpo. Esse desejo não deve ser barrado e, para que a pessoa possa se soltar, são oferecidas almofadas que devem ficar à disposição ao lado.

 

TOQUE NA REGIÃO DOS BRAÇOS®   TÉCNICA: aumento da ventilação e da sensibilidade nos braços. POSIÇÀO: o paciente fica em pé com os braços ao longo do corpo na posição relaxada e com os olhos fechados. O terapeuta fica em pé na frente ou atrás do paciente. LOCAL DE APLICAÇÃO: toque bilateral vibratório a ser feito na área lateral e mediana do braço. Nesse ponto se localiza a região sensível do nervo axilar. DESCRIÇÃO DO TOQUE: com os dedos ligeiramente fletados, exercer com suave pressão uma vibração ininterrupta aplicada por 15” em média.

 

TOQUE NAS MÃOS® TÉCNICA: círculos nas pontas dos dedos. POSIÇÃO: o paciente fica em decúbito dorsal com os braços levantados e as palmas das mãos viradas para cima. O terapeuta fica sentado na frente das mãos do paciente. APLICAÇÃO: sobre a parte central da polpa dos dedos vão ser feitos pequenos círculos com a ponta dos dedos correspondentes. Assim, os dedos medianos serão tocados pelos medianos, os anulares pelos anulares etc. Cada dedo vai receber em média 10 pequenos giros, sempre para fora e feitos com ligeiro deslocamento da pele no ponto de contato. FINALIZAÇÃO: círculos no ponto central das palmas das mãos.

 

TOQUE NA CABEÇA®   TÉCNICA: toque no topo da cabeça. POSIÇÃO: o paciente fica sentado na posição ereta sem rigidez, com os braços soltos e olhos fechados. O terapeuta fica em pé e atrás do paciente. TOQUE: posicionar as mãos em formato de dois semi-círculos, juntando os polegares na região “da moleira” ou topo da cabeça. Os outros dedos levemente unidos se dirigem para as têmporas. o trabalho é para ser aplicado com extrema delicadeza, e com duração média de 10”.  VARIAÇÃO: com a ponta do dedo indicador fazer em média seis círculos lentamente e com extrema suavidade em 3 pontos no topo da cabeça: a) no início da raiz dos cabelos; b) dois dedos para trás em média; c) sobre a região da “moleira”.

 

2.5.    A INFLUÊNCIA DO TERAPEUTA

-         A boa disposição de terapeuta: “Evitar o desgaste durante os trabalhos”. O toque bem-feito deve favorecer quem o recebe e quem o aplica, dando condições para que o profissional possa ajudar muitas pessoas e se tornar ao mesmo tempo “mais forte”. Os trabalhos como os de sopro, de som ou aqueles que mobilizam o magnetismo do olhar podem ser usados apenas algumas vezes por dia, por exigirem um grau muito elevado de concentração. Se usados com exagero existe o risco de um desgaste..

-         A influência da voz do terapeuta: o tom de voz, o ritmo e a cadência são importantes canais de comunicação, interferindo no momento em que são feitas as orientações dos toques e durante todo tempo do encontro terapêutico. Antes do toque, o tom da voz do terapeuta já pode começar a criar um clima que favoreça os trabalhos. Após o toque, a voz do terapeuta orientando o paciente para observar as sensações cria um fluxo de continuidade no contato. O tom e o ritmo dos sons são também “toques”. É conhecido o “poder da voz” na mobilização de sensações e de sentimentos.

 

2.6.    DOIS JOGOS GRUPAIS

-         SACUDIR® preliminar: palmadas nos ombros. O grupo anda entrelaçando um ao outro. Comece a sacudir ambas as mãos de cada pessoa que você encontra. Agora dêem sacudidelas nos cotovelos um do outro. Continue esse processo nos quadris, pernas, cabeças, orelhas e narizes um do outro. Faça cada atividade pelo menos de 15 a 30 segundos. Depois feche os olhos e experiencie como se sente.

-         TOQUE:

n    MÃO A MÃO – preliminar: palmadas nos ombros. Ande entrelaçando entre um e outro, sacudindo a mão direita. Em certo ponto pare, segue a mão direita de alguém, toque – explore esta mão com os olhos fechados. Depois de 2 minutos, segurando as mãos, abra os olhos e olhe seu parceiro. Agora movem-se, sacudindo a esquerda. Parem, tome a mão esquerda de alguém, e com os olhos fechados procurem conhecer esta mão. Em seguida testem a força e depois a ternura na mão esquerda um do outro. Depois de um minuto, ainda segurando as mãos, abram os olhos e olhem-se um ao outro. Depois andem pelo aposento, sacudindo as mãos de cada pessoa. Num intervalo de 30 segundos sacuda as mãos: rápidas – zangadas – felizes – deprimidas – como se voc6e estivesse enamorado. Então pare, tome duas mãos e com os olhos fechados, procure conhecê-las. Depois de dois minutos, transmita algo – empenhe-se – seja jocoso – seja gentil – faça uma dança com essas duas mãos. Depois de 5 minutos, ainda segurando as mãos, abra os olhos e veja quem é seu parceiro.

n    CONHECER AS COSTAS – preliminar: palmadas nas costas. Com os olhos fechados, cada pessoa sensitivamente dirige-se de costas para o centro da sala. Fazendo isso, você contacta outras costas, diz um <<alô>> gentilmente, e contínua movendo-se. depois de um minuto pare junto às costas de alguém e procure conhecer estas costas com a suas. Depois de alguns minutos separem-se; um dos parceiros vira-se e com as mãos, conservando os olhos fechados, procura conhecer as costas de seu parceiro. Depois de dois minutos troquem de lugar. Agora procure novamente ficar de costas outra vez e num intervalo de 30”: faça uma conservação com as costas – transmita algo – seja lúdico – seja tenro; façam uma dança com as costas mantendo-se juntos, explorando todas as formas de movimento. Depois de 5 minutos parem e tenham consciência um do outro. Depois lenta e gradualmente afastam-se. Experienciem como se sentem sua costas; então abra os olhos e olhe seu parceiro.

  

3.  EUTONIA

Um estado no qual qualquer movimento é efetuado com um mínimo de energia e um máximo de eficácia, deixando as funções vitais prosseguirem normalmente. Os movimentos não devem obstruir nem a circulação do sangue, nem a respiração, nem as outras funções dependentes do sistema nervoso vegetativo. Os movimentos executados na eutonia são chamados, às vezes, movimentos orgânicos, ou seja, que todos os órgãos trabalham em harmonia, e que todo o organismo funciona como uma unidade.

A eutonia e a relaxação são técnicas férteis nas mais diversas condições de vida.

 

3.1.    A EUTONIA NO MOVIMENTO

Mover-se, na eutonia, é manter a harmonia entre as diferentes partes de nosso corpo e o contato com o meio (espaço, objetos); é desenvolver automaticamente a força muscular necessária a um determinado trabalho (nem de mais, nem de menos).

Movimento eutônico, é o movimento natural, que é, por si só, um benefício para o corpo. esse movimento natural, encontramo-lo, primeiramente, nos gestos instintivos e inatos, tais como:

-         o estiramento instintivo: vem, naturalmente, depois do repouso e prepara o corpo para a ação. Oferece, também, a vantagem de tornar as articulações flexíveis.

-         o bocejo: acompanha todo o estiramento natural; ele próprio é um estiramento dos músculos das vias respiratórias. Constitui uma preparação para a atividade por colocar em forma os órgãos respiratórios.

-         o estiramento intencional: estirar-se longamente e abrir a boca ao máximo; isso basta, quase sempre para desencadear um bocejo.

-         o estiramento contínuo: a sensação de bem-estar através do estiramento, levando a um bem-estar global

-         movimentos livres: fonte de prazer comparável, restauradores e causadores de bem-estar. É necessário a lentidão, pois assim, as imperfeições transparecem. então, todos os seus detalhes, o que facilita sua eliminação.

-         movimentos de controle: controlam, ao mesmo tempo, a inervação dos músculos, sua força, sua extensão, assim como a flexibilidade das articulações.

-         movimentos leves: empregam, a rapidez e a leveza do movimento, ao mesmo tempo assegurando-lhe uma função muscular ideal. Permite que nos movamos com facilidade.

-         movimentos de força resistente: onde os ossos do corpo desempenham um grande papel. Por sua resistência, sua solidez, permitem que a energia passe através do corpo pelo caminho mais direto. Uma grande economia de forço é, assim, ao mesmo tempo que uma maios precisão de gesto.

-         movimentos balanceados: segue-se uma alternância entre passividade e atividade musculares que permite continuar esses movimentos durante muito tempo sem fadiga.

 

4.  TÉCNICAS DE RELAXAMENTO

O relaxamento é visto como um recondicionamento psico-fisiológico onde abrange várias técnicas. Serve para conseguir descontração, tranquilização e recreação nas pessoas. Além disso, fornece outras possibilidades terapêuticas, dependendo da área. É igualmente indicado como processo restaurador e reconstituinte na medicina e em várias outras como na psicoterapia, fonoaudiologia, reabilitação, terapia ocupacional, pedagogia, assistência social, belas artes, teatro, esporte, vida religiosa, exercícios e meditação. O relaxamento faz emergir contatos e vivências que eram pouco usados entre pais e filhos, casais, parentes e amigos.

O relaxamento pode figurar:

-         como terapia central;

-         como procedimento paralelo a qualquer outra forma de terapia, ou

-         como coadjuvante.

Propicia o libertar de energias até então amarradas, retidas ou não usadas.

 

4.1.    RELAXAMENTO EM CRIANÇAS COM O MÉTODO DE L. MICHAUX

Devido a observação de algumas dificuldades em crianças como imaturidade de tônus muscular e a insuficiência das capacidades de análise das sensações proprioceptivas, foi que pensou-se na aplicação de um método de relaxamento.

Esse método foi desenvolvido durante sessões de Reeducação Psicomotora onde visava movimentos voluntários. A criança se beneficiava e se concentrava facilmente nos exercícios que deviam executar de maneira ativa.

Assim, o método de relaxamento tal como passou a ser usado, comporta dois tempos essenciais:

1)    de regulação do tônus pelos movimentos passivos, que visa obter diferentes estados de relaxamento fazendo desaparecer todas as resistências musculares inoportunas;

2)    de readaptação dos movimentos, que têm por finalidade associar as diferentes movimentações e atitudes da vida diária a esses estados de relaxamento.

Com isso, foi visto que os efeitos deste método se processam tanto em relação à musculatura periférica, como em relação ao sistema neuro-vegetativo, e de uma maneira geral, aos sistemas de regulamentação da vigilância e da emoção.

PROGRAMAÇÃO: uma sessão completa pode ser dividida em duas partes principais separadas por uma intermediária:

1)    primeiro tempo: movimento passivo;

2)    fase intermediária: imobilidade completa;

3)    segundo tempo: readaptação dos movimentos com tempo “morto” executados pela própria criança, quer das posturas acompanhadas de relaxamento global.

PREPARO: a criança é estendida sobre um tapete de espuma com os olhos fechados. Sua atitude não é de abandono, mas de cooperação e de diminuição voluntária de controle muscular. Os diferentes segmentos são de início, mobilizados pelos educadores. Os movimentos devem ser lentos e repetidos. A monotonia constitui um fator favorável à reeducação. A finalidade do movimento passivo é obtida assim que o educador não perceber mais resistência nem ajuda por parte do sujeito.

 

MOVIMENTOS PASSIVOS: (Regulação do tônus – primeiro tempo).

1)    Movimentos da mão:

a)      balanceamento: levanta-se o pulso. O antebraço é mantido ao nível do cotovelo. Executa-se na mão, uma dezena de balanceamento no plano vertical, à razão de um por segundo. Depois de uma pausa, retornamos a esses movimentos tantas vezes quantas forem necessárias.

b)      Elevação e queda da mão: com uma das mãos seguramos o pulso da criança, e com a outra elevamos a sua mão até a vertical, apoiando os seus dedos. Depois, retiramos a mão, deixando cair a mão da criança. Exercitamos 10 a 20 movimentos, um em cada dois segundos.

c)     Balanceamento horizontal da mão sobre o seu eixo: o antebraço do paciente é colocado verticalmente, com mão em flexão e dedos relaxados. A mão assim flexionada, descreve um arco de 70 a 100 graus em plano horizontal, com movimentos de ida e volta inicialmente rápidos, depois mais lentos.

2)    Movimentos do antebraço

a)       movimentos alternados de pronação e supinação: seguramos com uma mão o cotovelo; o braço e o antebraço permanecem estendidos. Com a outra mão seguramos o pulso, executando com o antebraço de 10 a 20 movimentos alternados de pronação e supinação, observando um intervalo de um segundo. O movimento completo leva 3 segundos.

b)       flexão e extensão do antebraço: com uma das mãos seguramos o antebraço acima da articulação do cotovelo. A outra segura o pulso e flexiona o antebraço num ângulo de 45 graus. Depois deixamos cair o antebraço, apoiando-o em baixo. Um movimento dura três segundos.

3)    movimentos do braço:

a)     elevação e queda do braço: elevamos, tomando apoio, sob o cotovelo e o pulso, o membro superior estendido, até a altura de um ângulo de 30 graus; depois deixamo-lo cair, apoiando-o ligeiramente. Um movimento dura 4 segundos.

b)     deslocamento horizontal do braço:  o braço permanece estirado, sempre apoiado ao nível do cotovelo e do pulso. Num plano quase horizontal executamos movimentos de abdução e adução, um em cada dois segundos.

4)    movimentos de espáduas: o membro superior é mantido ao nível do cotovelo e do pulso de tal maneira que o braço permaneça horizontal e o antebraço verticalmente flexionado. Imprime-se, então, ao cotovelo um movimento de balanceamento exercitando a articulação da espádua. Faz-se 3 movimentos para cinco segundos.

5)    movimentos do membro inferior:

a)     movimentos do pé:

1)     torção completa da esquerda para direita e vice-versa (abdução e adução).

2)     balanceamento no plano vertical.

3)     queda: no começo o pé repousa sobre sua borda externa. Levantamos à posição vertical e depois soltamos.

b)     movimento do joelho:

1)    flexão do joelho: a mão flexiona o joelho, deixando-o cair depois lentamente. O ritmo é um movimento em cada 3 segundos com uma pausa de um segundo.

2)    queda lateral do joelho flexionado: deixamos o joelho cair sobre o lado externo. Pausa de dois segundos, depois novamente o levamos à posição inicial. O movimento completo dura quatro segundos com dois segundos de pausa.

3)    queda de membro inferior: o membro inferior é mantido pelo calcanhar e pelo joelho e é balanceado lentamente no sentido vertical várias vezes. Depois o recolocamos sobre o solo. Um movimento para cada dois segundos com uma pausa de dois segundo.

 

6)    Movimentos de cabeça, rosto e pescoço:

a)     Rotação da cabeça: a rotação da cabeça permanece no eixo do corpo e é rolada, alternamente, da direita para a esquerda e vice-versa.

b)     Descontração dos músculos peri—orbitários e fixação do olho:  obtém –se de início o fechamento permanente dos olhos (isso não é fácil nos instáveis que apresentam tremores dos músculos palpebrais, e nos ansiosos que abrem freqüentemente os olhos). Depois, ensinamos o paciente a manter os olhos imóveis, com ligeira convergência do olhar para a base do nariz. Efetuam-se então, pressões suaves, intermitentes, com os dedos sobre as regiões peri-orbitárias, para fazer desaparecer as contrações desnecessárias dos músculos da mínima que acompanham o fechamento do olho.

c)    Descontração dos músculos da boca e do maxilar: o paciente tem geralmente seu maxilar contraído e então deve exercitar deixando-o cair e depois fechando-o lentamente várias vezes em seguida.

FASE INTERMEDIÁRIA: IMOBILIDADE COMPLETA

Depois de um certo número de exercícios, prolongamos o estado de relaxamento por alguns minutos. O paciente permanece imóvel com os olhos fechados. Tocamos, ligeiramente, partes diferentes do seu corpo dizendo: “Pense na sua mão, que está relaxada, no seu antebraço, que está relaxado, etc.” Esta indução ao relaxamento por estímulos táteis e verbais é necessária especialmente para crianças que localizam mal as diferentes partes do corpo com olhos fechados.

Depois de certo número de sessões, abandonamos os estímulos táteis e a criança pode realizar sem auxílio o seu próprio relaxamento.

READAPTAÇÃO DOS MOVIMENTOS:

1)    Movimentos com “tempo morto”: se a etapa precedente já foi realizada, pedimos à criança que permaneça estendida e de olhos fechados e que levante sozinha os diferentes segmentos de seus membros, deixando-os cair depois pesadamente. Explicamos que um relaxamento muscular deve seguir essa queda. A ordem dos movimentos é a mesma do primeiro tempo.

2)    Posturas seguidas de relaxamento global: a criança executa diversas abandonando-as em seguida, entrando num relaxamento muscular completo. Esses exercícios lhe permitem:

a)     passar gradativamente da posição deitada para a posição de pé;

b)     conservar a noção de descanso, adquirido nos movimentos precedentes. No decorrer dos exercícios introduzidos o controle da respiração, adaptando-a a cada movimento: inspiração nos movimentos de extensão e expiração nos movimentos de flexão.

 

4.2.    A RELAXAÇÃO PROGRESSIVA DE E. JACOBSON

Nesse método a pessoa aprende a avaliar e realizar sistematicamente suas tensões nos diversos grupos musculares para depois relaxá-las.

O estudo utilizou a medição da tensão dos músculos lisos por diversos meios clínicos combinando-os com testes farmacológicos com cafeína e adrenalina.

Para a relaxação necessita-se um intervalo prolongado e realmente é a primeira das desvantagens aparentes do método, a duração dos exercícios. O paciente aprendendo o refinamento das suas percepções cinestésicas, saberá também registrar a diminuição das tensões musculares, podendo vivenciar assim o relaxar psíquico de modo consciente, sem necessitar fenômenos hipnagógicos.

No processo fisiopsicológico dos exercícios é um momento importante o trabalhar com “situações comuns” sem recorrer aos estímulos mais específicos ou requintados, aprendendo a retesar e contrair os músculos e, pelas repetições múltiplas chegar a puma verdadeira automatização.

1)    primeiro passo: A relaxação dos braços

1º exercício: o paciente em decúbito dorsal fecha os olhos, permanecendo com a pernas descruzadas tentando diminuir o mais possível seus movimentos, conseguindo eventualmente uma completa imobilidade. Isto ainda não é relaxamento, mas uma introdução e condicionamento preliminares, tentando perceber, sem qualquer esforço mental, todos os fatores que surgem, impedindo ou fomentando a execução e o conseguimento deste estado preparatório. Aconselhamo-lo a não se preocupar nem tentar avaliar; aliás, depois de certo tempo o paciente nem poderá manter uma atenção vigilante porque a duração do exercício é de 50 minutos, e pode ser reduzido para 30 minutos se surge resistência acentuada ou inquietude.

2º Exercício: a posição é a mesma: decúbito dorsal, olhos fechados, pernas descruzadas. Relaxamento: levantar o braço direito; fechar o punho; sentir durante a execução dos movimentos a tensão que surge no braço direito. Descontração: deixar cair o braço; abrir o punho; permanecer com os dedos soltos; (não mandar esticá-los). Depois de 3 a 5 minutos de repouso repetir o exercício duas vezes. Permanecer em repouso. O exercício dura 50 minutos, podendo ser reduzido para 30. Modalidades: executar o exercício apenas com o antebraço ou com o pulso.

3º exercício: na mesma posição executa-se o exercício com ambos os braços. Aqui também, como antes de cada exercício, salientamos a importância de experimentar conscientemente o retesamento voluntário com todos os seus fenômenos acompanhantes e a descontração subseqüente, que ainda está longe de ser perfeita, mas já fornece elementos de orientação e constatação proprioceptiva ou autoestésica.

2)    Segundo passo: a relaxação das pernas

1º exercício: a posição é a mesma: decúbito dorsal, olhos fechados, pernas descruzadas. Durará 50 minutos se o paciente agüentar com quietude e sem resistência. Retesamento: o paciente executa uma “plantarflexão” com os tornozelos, flexionando também os artelhos, sem movimentar os joelhos. Descontração: parar repentinamente com a flexão dos pés e dos artelhos.

2º exercício: a posição é a mesma e o exercício também, mas a fase da descontração deve ser executada paulatinamente. No início talvez haja certa dificuldade com a inervação coordenada, e a execução acontecerá “aos pulos”, mas mais tarde aprender-se-á p procedimento adequado.

3º exercício: durante as repetições e nas pausas subseqüentes o paciente tenta vivenciar  com consciência atenta, que ao retesar os pés, nos braços também haverá contração involuntária que desaparecerá junto com a descontração dos pés.

3)    Terceiro passo: a respiração

A posição é : decúbito dorsal ou lateral. O paciente permanece com olhos fechados durante 10 minutos, realizando a imobilidade e o ritmo da própria respiração sem interferência ou condicionamento temporal, depois respira 3 vezes de modo um pouco mais profundo, sem esforço ou mudança real do processo.

Já anteriormente temos que instrui-lo para observar a caixa toráxica atentamente, nas respirações mais profundas, para perceber o retesamento nos momentos do inalar e a descontração ao soltar o ar. A comutação de tensão e descontração deve ser experimentada claramente. Várias repetições permitem observações mais sutis, naturalmente com pausas intercaladas.

4)    Quarto passo: a relaxação da testa

1º exercício: o paciente coloca-se perante o espelho.

a)       enrugando a testa levantando com força as sobrancelhas, depois solta-as lentamente.

b)       contrai as sobrancelhas (olhar “feio”) com força e depois solta-as lentamente.

2º exercício: o paciente deita-se e fecha os olhos.

a)        enruga a testa e depois solta os músculos lentamente.

b)        contrai muito lentamente as sobrancelhas e depois solta-as paulatinamente.

3º exercício: o paciente experimenta que ao enrugar a testa e contrair as sobrancelhas, os braços, pernas e caixa torácica também apresentam contrações e que, ao descontrair da testa e das sobrancelhas, não se soltam com facilidade.

5)    Quinto passo: a relaxação dos olhos:

O paciente está em decúbito dorsal com olhos abertos. Olha para a direita e permanece 30 segundos assim, experimentando a tensão nos olhos. Deixa voltar os bulbos oculares à posição mediana sem mirar qualquer objeto, permitindo assim a descontração e o relaxar dos músculos oculares. Depois de um minuto de pausa repete o exercício para o lado esquerdo, para cima e para baixo, sempre voltando à posição mediana e relaxando os músculos antes de iniciar uma outra fase.

No quarto e no quinto passo é aconselhável evitarmos execução forçada; que pode causar sintomas desagradáveis, como dor de cabeça, tontura, etc.; por isso é importante também observarmos as pausas intercaladas, realizando a descontração e a condição natural das áreas exercitadas.

6)    Sexto passo: a relaxação de certos grupos musculares e dos órgãos da linguagem

O paciente permanece deitado como quiser, mas com olhos fechados.

1º . exercício:  instruimo-lo para contar até 10 em voz alta, observando a atividade da língua, dos lábios, da mandíbula, do pescoço e da caixa toráxica. Cada grupo muscular relaxa-se durante 3 minutos, de modo que o paciente ao parar de proferir os números, realiza uma a uma a descontração das respectivas áreas, repetindo sempre 2 vezes o exercício com as necessárias pausas.

Com pacientes menos disciplinados ou com compressão limitada, teremos que parcelar este exercício, dividindo-o de forma mais aceitável ou executável, conforme o caso. Podem surgir várias sensações “estranhas” para o paciente, como formigamento, salivação, choro, euforia, etc, provavelmente por causa dos muitos circuitos funcionais sobre e entrepostos nessas regiões; registramos atentamente o ocorrido, mas não há razão, na maioria dos casos, para não continuar o exercício.

2º exercício: a contagem é feita em voz baixa e mais tarde apenas sussurrando e depois, permanecendo em silêncio, experimentar da maneira acima descrita o relaxar dos diversos grupos musculares. Essa modalidade exige talvez muito mais concentração e participação do paciente do que as fases anteriores.

3º exercício: o paciente imagina apenas os números sem emissão sonora, experimentando que mesmo assim acontece o relaxamento nos órgãos da linguagem.

 

4.3.    T’AI-CHI CHÜAN

Consiste em séries de movimentos coordenados que utilizam todo o corpo e que devem ser realizados numa seqüência determinada.

Os movimentos no T’AI-CHI são compostos de círculos, grandes ou pequenos, planos ou oblíquos, e nunca há seqüências angulares ou retas. Movimentos grandes formam círculos completos e os pequenos transformam-se em pontos.

Se trata também de um sistema de defesa, as formações circulares contém a idéia de neutralização da força do ataque proveniente do meio externo. Cada movimento deve ser feito de modo “arredondado”.

Regras de postura: a cabeça conserva-se em posição reta e natural, o tronco não deve inclinar-se e os joelhos, quando flexionados, não devem aparecer além da linha da ponta dos pés. Os ombros sempre permanecem baixos e o tórax descansa numa posição natural para que se possa mobilizar o diafragma e os músculos intercostais. Os punhos devem estar frouxos e os movimentos se realizam sem utilizar nenhuma força. Quando os braços e as pernas são endireitados, durante uma seqüência, cotovelos e joelhos mantém-se ligeiramente curvados, de modo que os braços e as pernas não fiquem como uma linha reta. Os quatro membros e todas as outras partes do corpo devem corresponder uns aos outros e mover-se num mesmo ritmo, para que haja coordenação de todos os movimentos. mantém-se os olhos semi-cerrados, acompanhando os movimentos das mãos. Os lábios permanecem fechados, pressionando-se a língua contra o céu da boca. A respiração, nem um só momento dissocia-se dos movimentos: deve-se inspirar quando se retrai as mãos e expirar quando se juntam, inspirar quando se levantam e expirar quando se abaixam; inspirar quando se levanta o corpo e expirar quando se abaixa.

Duração: a execução das seis séries fundamentais, quando feita no ritmo normal, leva 2o – 25 minutos. Além da execução costumeira do T’AI-CHI existem modalidades diferentes: a execução “sentada”, em que a flexão das pernas é acentuada e os movimentos são feitos de forma extremamente lenta; o “serpentear”, floreado com movimentos ondulantes; o corpo inteiro “serpenteia”, inclusive os braços e o pescoço, mas as pernas executam movimentos simples; o “rápido” exige que as seqüências inteiras sejam executadas com rapidez, com marcações dinâmicas, sem pretender a plenitude das posturas; usa-se em casos de fadiga não muito intensa. A modalidade “mental” consiste em executar movimentos extremamente reduzidos, mas realizando-se mentalmente um trajeto até mais extenso do que os do T’AI-CHI tradicional

A tradição diz que a prática do T’AI-CHI regula a função glandular e a condução nervosa, fomenta o rendimento muscular, desenvolve a sensibilidade tátil e produz “energia neutralizadora e de ataque”. Torna o organismo mais ativo, com reflexos mais rápidos. Equilibra a circulação sangüínea e linfática, promove a digestão e a transpiração, e elimina os líqüidos excessivamente cumulados no organismo.

A técnica fundamental do TÁI-CHI é entender a “energia intrínseca”.  Isso entretanto é impossível sem primeiro maleá-la. O ponto de gravidade deve ser firmado no centro. “Equilíbrio Central” significa que imediatamente antes de aplicar a energia intrínseca, deve-se dispô-la em equilíbrio. “Quando um movimento está para começar, a energia está em Equilíbrio Central:.

Ainda podemos acrescentar que um dos significados da expressão TÁI-CHI é “viga-mestra”,  indicando força disponível e sustento firme, cuja realização promove a segurança, a auto-determinação e a produtividade.

 

4.4.    IMAGENS E RELAXAMENTO

Pertence à natureza humana, aquela categoria psicodinâmica onde os conteúdos psíquicos conscientes ou inconscientes constelam-se em imagens, seqüências de imagens ou já se apresentam como eventos. Mesmo assim constituem uma necessidade vital como o sonhar, uma realidade psíquica, diferente porém da categoria racional uni-diretiva, que pensa poder examinar processos isolados e absolutizar suas conclusões. Muita vida desvivida necessita recuperação, reintegração ou cura. A necessidade premente de uma consciência unilateralmente orientada é o reaver da capacidade de lidar com as imagens, desenvolvê-las ou até entendê-las para assegurar o intercâmbio entre as “freqüências” racionais, irracionais, pré-racionais da psique total.

Há diversos meios de possibilitar o contato entre tais dispositivos que exigem uma alteração peculiar do foco da consciência. Alguns dos diversos procedimentos e denominações, são:

-         estado hipnóide;

-         imaginação ativa;

-         psicocatarse;

-         hipnoanálise;

-         psicólise;

-         etc.

PROGRAMAÇÃO:

1)    Vivência com cores: depois de se experimentar simpatias e antipatias com determinadas cores, segue-se a busca da cor individual, mais próxima de cada um, através do relaxamento, usando fórmulas de estímulo para fazê-la aparecer e desaparecer, não se esquecendo do retrocesso, que especialmente nessas experiências deve ser executado com exatidão. Eventualmente, ainda nesta sessão vivencia-se de uma vez a seqüência do espectro (azul, violeta, vermelho, laranja, amarelo, verde, azul), imaginando a transmutação de uma cor para a outra: tranqüilização e retrocesso são indispensáveis. Tais exercícios desenvolvem certa sugestibilidade e por isso usa-se ainda a “fórmula de defesa”;  “Ninguém, a não ser o médico conseguirá me hipnotizar...”. O número dos participantes não deve ser muito elevado para que as vivências ou dificuldades de cada um possam ser discutidas, explanadas ou se for necessário, corrigidas.

2)    Percepção de objetos concretos: Aproveitam-se diversos objetos, desde os mais modestos e cotidianos até motivos com conteúdo simbólico. Depois da observação contemplativa, cada um escolhe o objeto com que gostaria de exercitar, e inicialmente, sempre com a escala básica do relaxamento, tenta imaginá-lo claramente e depois deixa-o desaparecer. A maioria gosta de exercitar com a imagem da vela acesa.

3)    Contemplar valores abstratos: Além de objetos ou imagens concretas (âncora, cruz, pomba, coração) podem ser usados conceitos morais, existenciais, espirituais, religiosos, como a idéia de quietude, silêncio, paz, verdade, bondade, justiça, fé, esperança, etc., iniciando com a escala básica e terminando com o “retrocesso”.

4)    Exercícios para a formação de caráter:

a)     Auto-conhecimento, pelas perguntas: - “Quem sou eu?”; O que estou querendo na verdade?; Como devo mudar?; Onde não tenho razão?, etc.

b)     Auto-realização, por aceitação e integração de si mesmo, com afirmações como: Eu me aceito...; Sigo a meta de...; Serei o que devo ser...; Ninguém me ferirá..., de modo dinâmico e rítmico. Cada participante deve escolher e compor aquela afirmação que condiz mais com seus anelos humanos, mesmo que este seja o superar de sofrimento e dificuldade, questões de consciência, dever, independência, e muitas outras áreas e variações. Dos resultados é possível concluir a fase em que o indivíduo se encontra e até o trajeto que seria aconselhável seguir.

5)    O “caminho ao fundo do mar”:  reconhecendo à idéia da descida vertical, produz-se uma disponibilidade de diálogo com submundos ou até abismos psíquicos. Depois das costumeiras fórmulas iniciais toma-se uma atitude ativa, mas de cunho heróico-lendário, munindo-se com um cetro mágico que é a arma e a chave e com um anel radiante que ilumina a escuridão. Mais do que 90% dos participantes encontra dificuldade no empreendimento dessa viagem “a dentro” que no fim fornece bastante material para defesa, luta, ataque, mesmo que simbólicos, mas ativando dinamismo interno e real, especialmente nos momentos do encontro com a bruxa, monstros, esqueletos e navios afundados, etc., encenando peculiares psicodramas internos.  Naturalmente o distanciamento, o apagamento das imagens e o retrocesso, exigem cuidados da parte dos dirigentes. Verifique-se se cada pessoa conseguiu “voltar” ao seu ponto de partida.

6)    O “caminho ao sumo da montanha”:   compensação natural do exercício anterior da descida, a subida vertical, a visita às dimensões das alturas dispensa implementos mágicos. Depois do condicionamento inicial imagina-se uma montanha alta que será galgada com quietude, passo a passo. À chegada ao topo, vivências numerosas ocorrem, manifestações de raios ou luz, cenas religiosas com intensa participação, nem sempre em termos estritamente confessionais, mas antes, todo abrangentes, muitas vezes com colorido ou aparições transcendentais. merecem menção especial as “vivências de clareamento”,  os diálogos com o “eremita” fornecendo introspecção, esclarecimentos e orientação para decisões. A “volta”,  o distanciamento e o retrocesso, aqui também obedecem às instruções anteriores. Distribuem-se  questionários mais detalhados do que no curso dos exercícios básicos.

7)    Vivências de imagens livres ou dirigidas, com meta determinada:  servem para necessidades individuais em caso de perturbações, dúvidas, situações obscuras, etc, no sentido de: tempo (regressões, recapitulações, revisões); lugar ( com reaparecimento de muitos eventos “esquecidos”); corpo (ganhando impressões de certos distúrbios subjacentes...); causa (da euforia, do constrangimento, cisma, animosidade); sonho (fornecendo explanação direta ou simbólica); testes (para vivenciar ‘imagogicamente” conteúdos de testes projetivos), iniciando sempre com o exercício básico e depois usando a fórmula: “Perante meus olhos desenvolve-se uma imagem... Isto é a imagem de... Demonstra-me a ... (causa, significação, base, etc) de ... Termina-se cada experiência com o retrocesso.

 

 

 5.  VIVÊNCIA

Preparar a sala com música adequada e incenso.

Primeira etapa:  Cada menina pega um colchonete, deitar de costas ao chão e com os pés unidos no centro de modo a formarem um círculo. Estender o braço direito para colocarem a palma da mão sobre a região cardíaca da colega ao lado. Assim vai se fechar um círculo, e todos de olhos fechados para favorecer a concentração, vão procurando respirar no mesmo ritmo que é captado pela palma da mão. Aos poucos todo o grupo acaba respirando e pulsando na mesma cadência. Após uns 5 minutos, orientar o grupo para retirar devagar as mãos e ficar recolhido observando suas sensações.

Segunda etapa: Sentar e cruzar as pernas mas mantendo a respiração. Levantar os braços mantendo as mãos abertas com os dedos dirigidos para cima, em posição descontraída até sentir na ponta dos dedos uma vibração leve ou formigamento, sensação de que estão maiores, encostar nos olhos e descansá-los. Ficar por 2 minutos.

Terceira etapa: Erguer as mãos na altura do peito e agite-as, sem mexer os braços, por 10 vezes. O movimento tem que ser livre e vigoroso.

Quarta etapa: Entrelaçar os dedos e aplique uma pressão com a palma das mãos, para frente e para trás contra o couro cabeludo. Repetir por 10 vezes.

Quinta etapa: Aplicar uma pressão firme, com a polpa de 1 ou 2 dedos, no sentido mole localizado em ambos os lados das vértebras cervicais na nuca. Pressionar por alguns segundos e depois solte-as. Repetir por 10 vezes.

Sexta etapa: Colocar as mãos sobre as têmporas. Com a eminência tenar ou com as polpas dos dedos, fazer 10 movimentos circulares curtos nos sentidos horário e anti-horário.

Sétima etapa: Coloque as mãos na testa. Usando a polpa dos dedos em um movimento suave e contínuo, aplique alisamentos superficiais.

Oitava etapa: Polpa dos dedos dos indicadores e medianos no centro da testa. Fazer movimentos circulares desde o centro da testa, ao longo das sobrancelhas  e acima das maças do rosto, subindo por entre os olhos e reiniciar. Repetir por 10 vezes.

Nona etapa: Escolher uma parceira. Uma deita de decúbito ventral e a outra irá ajoelhar ao lado da coluna da parceira. Colocar as mãos na região lombar, uma de cada lado da coluna. As mãos movimentam-se em direção opostas, passando perto uma da outra, enquanto deslizam pelas costas, para trás e para frente. Ir subindo até a cabeça, chegando lá, voltar.

Décima etapa: Quem estiver recebendo a massagem deitar em decúbito dorsal, e quem estiver executando, ficar ajoelhada aos pés da parceira. Usar uma das mãos para apoiar a planta do pé enquanto a outra  massageia o dorso. deslizar a mão pelo dorso começando pelos dedos indo em direção ao tornozelo. fazer nos 2 pés. Fazer nos 2 pés repetindo por 10 vezes.

décima primeira etapa: Sentar paralelamente a sua parceira que estará na mesma posição anterior. Com uma das mãos, segure o punho da parceira; com a outra, fazer o deslizamento até o braço. Manter  palma da mão e os dedos estendidos, mas relaxados. Curve a outra mão e vá para o ombro. Comprimir, suavemente o braço entre os dedos e o polegar, enquanto vai deslizando em direção à mão. fazer no outro braço. fazer por 10 vezes.

Décima segunda etapa: Segurar a mão da parceira e com  palma da mão e os dedos, fazer deslizamento no dorso da mão por 10 vezes. Virar a palma da mão para cima e faça deslizamento com os polegares em pequenos círculos, em toda a palma. Fazer por 1 minuto. Fazer na outra mão.

OBS: trocar. Quem recebeu, agora faz igual a partir da nona etapa.

 

 

6.  CONCLUSÃO

A partir de uma breve pesquisa sobre a técnica de eutonia (relaxamento), o tocar e as técnicas propriamente, percebemos que os mesmos têm grandes significados para o desenvolvimento do corpo em todos os sentidos (físico, mental e social), dos seres humanos.

A estimulação tátil deve começar quando bebê (recém-nascido) para o desenvolvimento e crescimento da pessoa, pois o reconhecimento do corpo influencia na personalidade, maneira de agir e comportamento o longo desse desenvolvimento da vida.

 

    7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- MÜLLER & BRIEGHEL, G.    Eutonia    e    relaxamento.     São Paulo: Manole, 1987.

- GUNTHER, B. Sensibilidade e    relaxamento.    Tradução:    Sandor Pethó. Rio de Janeiro: Brasiliense, 1974.

- MONTAGU, A. Tocar: o significado humano   da   pele.   5.   ed.   São Paulo: Summus, 1998.

- SANDOR, P. et. al. Técnicas de  relaxamento.   4.   ed.   São   Paulo: Vetor, 1982.

- CASSAR, M. P. Massagem:   Curso   completo.   1.   ed.   São   Paulo: Manole, 1998.

- DELMANTO, S.  Toques   Sutis:   uma   experiência   de   vida   com   o trabalho de Pethö Sandor. 2. ed. São Paulo: Summus, 1997.

- ATKINSON, M. A arte   da   massagem   indiana.   1.   ed.   São   Paulo: Manole, 2000.